Quem achava que todos os headsets Bluetooth eram iguais, variando apenas no tamanho e visual, precisa conhecer o Jawbone, da desconhecida Aliph, e rever seus conceitos. Se é para dar uma de maluco, falando aparentemente sozinho, com o aparelhinho pendurado na orelha, que seja com o melhor e mais bonito deles – um sonho de consumo que tem sido apresentado na mídia como o acessório ideal para o iPhone.
Há que se dizer que nossa experiência com ele não começou nada bem. Encomendamos um, por salgados US$ 130, do site do fabricante, para ser entregue na casa de um parente, nos Estados Unidos. Dias depois, recebemos uma carta da empresa, no endereço aqui do Brasil, avisando que não aceitava cartões de crédito de outros países e dando uma semana para fornecermos um cartão americano ou o pedido seria cancelado.
Sem acesso a um cartão de lá, desistimos da compra e tratamos de encontrar outro lugar para encomendar o Jawbone – desta vez uma loja virtual parceira da Amazon.com. E não é que acabamos com dois aparelhos idênticos na mão? Sabe-se lá por que, a Aliph enviou (e cobrou, claro) o headset que havia se negado a vender. Para não lhe dar o trabalho de devolver um, o Jawbone extra virou presente para o tal parente americano.
Mas a história não acabou aí! Quando nosso portador finalmente veio para o Brasil, com os Jawbones na mala, descobrimos que um deles não funcionava. Uma pesquisa na Internet logo mostrou tratar-se de um problema bem comum no cabo de energia, que não estava carregando a bateria do aparelho direito. Pior: a Aliph diz que o cabo não é coberto pela garantia, mas acabou se dispondo a trocá-lo, como “cortesia”!
Visual de carro-esporte
Feitas as ressalvas ao atendimento do fabricante e à qualidade do maldito cabo, vamos ao que interessa: a avaliação do
fone/microfone Bluetooth. O Jawbone vem numa embalagem caprichada, que inclui o headset, o cabo de recarga USB, um adaptador para ligá-lo na tomada e nada menos que três alças para prender na orelha e quatro tampinhas para o ouvido extras – além das que vêm montadas no aparelho. Para o kit ficar completo, só faltou um estojo para proteger o Jawbone quando fora de uso.
A variedade de alças e coberturas para o fone tem como objetivo garantir um encaixe perfeito em qualquer formato, tamanho e lado de orelha. Duas das alças – uma um pouco maior que a outra – são para usar na orelha esquerda e duas, para a direita. Já as tampinhas do fone têm cinco formatos diferentes – das redondas às alongadas. Experimente todas elas até encontrar a que mais lhe agrade.
O design do Jawbone chama a atenção sem ser espalhafatoso – no que o tamanho extramente compacto certamente ajuda. A linhas retas e superfície toda perfurada dão um ar industrial e, na versão prata, a impressão de ser feito de metal, quando é quase tudo plástico. A Aliph vende também os modelos cinza escuro e vermelho – este último vistoso como uma Ferrari (e nada discreto).
O headset tem apenas dois botões – ambos praticamente invisíveis. Um deles, minúsculo, sai de uma das perfurações da superfície prateada. O outro é a própria peça preta onde está gravado o nome do produto. Além disso, um led perfeitamente integrado entre as duas peças pisca em branco ou vermelho para indicar o funcionamento, status da bateria e outras funções.
Tecnologia do barulho
O maior apelo do Jawbone, entretanto, não é visual, mas técnico. O botão preto aciona um recurso chamado NoiseShield (escudo de ruído), que teoricamente elimina da transmissão tudo o que não for a sua própria voz. Com isso, torna-se possível falar no Jawbone em ambientes barulhentos ou com muito vento – um velho inimigo dos microfones em geral.
O sistema se vale de um sensor especial em seu lado de dentro. Encostado no seu rosto, o dispositivo capta a vibração da sua voz e informa ao processador do aparelho o que deve ser preservado. Todo o resto é filtrado do sinal. Em nossos testes deu para notar que a qualidade do som enviado é muito boa, mas temos que confessar que nossos interlocutores não perceberam muita diferença quando desligamos o NoiseShield.
Também tivemos alguma dificuldade em encaixar o headset na orelha de modo que o fone ficasse suficientemente próximo do ouvido, o que acabava deixando o volume um pouco baixo. Depois que aprendemos a controlá-lo, apertando o botão menor cinco vezes, para colocar no volume máximo (indicado por bipes cada vez mais agudos), o som ficou bem mais audível, mas o melhor resultado continuou sendo quando apertávamos o aparelho contra o rosto – nada prático em um acessório que deveria deixar nossas mãos livres.

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